O que aconteceu com a paciente em Bragança Paulista
Uma mulher de 33 anos, identificada como Érica Cristina Bannai Von Hoonholtz, viveu uma situação alarmante após realizar uma histerectomia no dia 5 de janeiro em Bragança Paulista, interior de São Paulo. Durante a operação, uma tesoura metálica foi acidentalmente deixada em seu abdômen, permanecendo no local por 96 dias. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil, após a paciente ter manifestado sintomas preocupantes que a levaram a procurar atendimento médico novamente.
Como a tesoura foi descoberta
A descoberta do objeto ocorreu no dia 10 de abril, quando Érica buscou atendimento médico devido a dores abdominais severas e episódios de vômito. Uma tomografia realizada no pronto-socorro revelou a presença de uma tesoura metálica na região do mesogástrio e flanco direito, o que levou os médicos a agendarem uma cirurgia exploratória de emergência para remover o item.
Consequências para a saúde da paciente
A laparotomia exploradora, realizada em 11 de abril, resultou na remoção da tesoura, mas não sem consequências sérias para a saúde de Érica. O laudo anatomopatológico indicou que ela apresentava um segmento de intestino delgado de 22 centímetros afetado por inflamação crônica, áreas de infarto isquêmico e peritonite visceral aguda. Além disso, Érica passou por quatro cirurgias no total: a histerectomia, a remoção da tesoura, uma cirurgia para correção de hérnia com drenagem de um abscesso intestinal, e uma cirurgia para tratar um abscesso hepático.

Detalhes da cirurgia de histerectomia
O procedimento de histerectomia realizado em janeiro começou às 15h30 e foi finalizado às 17h. Durante a intervenção, foram realizados procedimentos adicionais como a liberação de aderências pélvicas e tratamento da endometriose peritoneal. Um registro da equipe de enfermagem ao final da cirurgia indicou a contagem de compressas utilizadas, mas não mencionou a contagem de instrumentos cirúrgicos, o que é uma prática comum para evitar deixá-los dentro dos pacientes.
Investigações da Polícia Civil
As investigações começaram a partir do registro de um boletim de ocorrência em 13 de abril, após Érica relatar o caso à polícia. No dia 14 de maio, ela prestou depoimento no 1º Distrito Policial de Bragança Paulista, onde reiterou sua intenção de buscar justiça contra o cirurgião responsável pela sua operação inicial. A delegada responsável pelo caso ordenou que o médico fosse intimado a prestar esclarecimentos sobre o ocorrido.
O papel do hospital no incidente
O Complexo Hospitalar Santa Casa de Bragança Paulista afirmou que, devido a questões de sigilo assistencial, não poderia se manifestar sobre casoss específicos. No entanto, a instituição declarou que está à disposição das autoridades para fornecer as informações necessárias. Essa resposta levantou questões sobre a eficácia das práticas de segurança em cirurgias realizadas no hospital.
Repercussão na mídia
A situação de Érica se tornou um caso amplamente divulgado na mídia, gerando discussões sobre os cuidados necessários em procedimentos cirúrgicos e a importância da responsabilidade médica. A divulgação do caso visa alertar outras pessoas sobre os riscos de negligência em hospitais e como é fundamental que medidas adequadas sejam adotadas para prevenir ocorrências semelhantes.
Depoimento da paciente
Em entrevistas, Érica expressou seu desejo de que sua experiência sirva como um alerta para outras pessoas, enfatizando a gravidade da situação. Ela relatou que buscou a cirurgia após dois anos lidando com sangramentos uterinos persistentes e sentiu-se enganada pelo profissional que a tratou. A paciente afirmou que, antes da cirurgia, já havia considerado apresentar uma queixa contra o médico, temendo que algo pudesse dar errado.
Como evitar casos semelhantes
Para prevenir casos de instrumentos cirúrgicos deixados dentro de pacientes, é essencial que os hospitais adotem protocolos rigorosos de contagem e treinamento adequado da equipe cirúrgica. Isso inclui a utilização de checklists antes e após a cirurgia, além da implementação de tecnologia que possa ajudar a monitorar o uso de instrumentos durante os procedimentos.
Resposta do hospital sobre o caso
Em resposta à situação, o hospital reiterou seu compromisso em manter a segurança dos pacientes e declarou que está colaborando com as investigações, mas não fornecerá comentários adicionais devido à legislação de proteção de dados pessoais. A postura do hospital levanta questões sobre a transparência no manejo de incidentes médicos e a confiança depositada pelos pacientes na instituição de saúde.


